Terça-feira, 14 de Novembro de 2006

           Num destes dias passados,  entrei na famosa e sedutora Basílica dos Mártires (ao Chiado) para visitar mais um dos templos alfacinhas cuja origem remonta ao ano em que D. Afonso Henriques conquistou a cidade aos mouros, em 1147. A sua construção, como pequena ermida, teve inicio em Novembro daquele preciso  ano, e desde logo consagrada à Mãe de Deus, que o povo entretanto passou a invocar por Santa Maria dos Mártires. Para além dum espaço que é destinado ao recolhimento e oração, a igreja paroquial de Nossa Senhora dos Mártires é também um autêntico museu de arte sacra, que vale bem a pena visitar. A mim, o altar de São Miguel Arcanjo, em cujo ossário de talha dourada que  serve de peanha à imagem, e contem as ossadas de alguns santos heróis que morreram em combate na conquista de Lisboa, trouxe-me à memória a recordação daquela caveira que sempre que subia ao "Iteiro da Senhora" ou do "Santinho"  ia ver quando exposta na "casa das estampas" para todos os romeiros contemplar. Há já alguns anos que não sei porquê  foi retirada  da vista  dos peregrinos, eu no entanto ao ver agora este ossário  numa das mais nobres basílicas  de Lisboa e do país, continuo a não entender porque razão no Monte Farinha se esconde dos olhos dos romeiros aquilo que foi e pode ser  um motivo de atracção e com tradição. Pelo menos vou aqui descrever a lenda:

A Caveira do Ermitão

          Desde tempos imemoráveis que esta caveira é motivo da reverência e curiosidade por parte dos romeiros e devotos de Nossa Senhora da Graça, sem que no entanto se conheça a sua origem, nem a causa que levou a que fosse exibida e mantida como relíquia pelos sucessivos ermitães da Ermida do Monte Farinha. Segundo a lenda, na versão recolhida e  divulgada pelo Dr. Primo Casal Pelayo,: <O primeiro ermitão vivia num covil voltado para Mondim, perto de onde está a fonte com represa ambundante de água cristalina  que servia para lhe regar uma bouça (Bouça e gruta do Ermitão, ao lado da Capela do Fundo) que ficava logo abaixo na encosta voltada para Campos. Foi ele que junto a esta fonte (Fonte do Ermitão) construíu a primeira capela, que não foi certamente ao gosto da Senhora, porque de noite abandonava-a para ir para o cimo do monte. Surpreendida  nos seus devaneios pela solicitude vigilante do ermitão, resultou uma nova edificação mais ao seu agrado no cume do Monte Farinha . Finalmente uma noite, quando regressava  ao seu tugúrio, o ermitão foi surprendido por um bando de malfeitores que o assassinaram junto à vizinha Pedra Alta, na vertente para  Atei, vindo depois a ser sepultado, com odor de santidade, à entrada da igreja paroquial de São Pedro de Vilar de Ferreiros >.

          Lenda ou realidade histórica, o certo é que a maioria dos tradicionais peregrinos e romeiros que vêm ao Monte Farinha, continuam hoje a manifestar o seu piedoso afecto e respeito pela suposta caveirra do lendário ermitão de Nossa Senhora da Graça e que associada à Pedra Alta o folclore regional consagra nestes versos populares:

Nossa Senhora da Graça,

que é do vosso ermitão?

 - Ao cimo da Pedra Alra,

lhe fizeram a traição.

 



publicado por aquimetem às 14:55
Em vez de "Caminho Novo" vai passar a chamar-se o sítio aonde essa antiga via conduz: Monte Farinha.
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